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Este vídeo breve (manipulando tecido conjuntivo) descreve como que o profissional deve manusear o tecido conjuntivo periodontal depois de ser retirado. (Tratamento de Recessões Gengivais)

Juliana 300x188 - MANIPULANDO TECIDO CONJUNTIVO

A recessão gengival é definida pela American Academy of Periodontology, desde 1992, como o deslocamento da margem gengival apicalmente à junção amelocementária. É um defeito mucogengival que pode provocar um aspecto antiestético, hipersensibilidade radicular, impactação alimentar, predisposição a cáries radiculares, dor durante a mastigação ou escovação e dificuldade no controle de placa, fatores esses que podem colaborar na progressão da doença periodontal.

O tratamento da recessão gengival por meio da cirurgia mucogengival tem sido extensamente pesquisada. Para Wennström1, dentre as técnicas cirúrgicas atuais utilizadas para o recobrimento radicular, o enxerto de tecido conjuntivo destaca-se, pois fornece uma maior previsibilidade de sucesso.

Desde que Langer & Langer2 descreveram a técnica precursora do enxerto de tecido conjuntivo para cobertura radicular, ocorreu um notável desenvolvimento e aprimoramento dos métodos capazes de promover a cobertura de raízes expostas.

Para uma avaliação de resultados, é importante questionar quais os critérios adotados para caracterizar o sucesso das técnicas implementadas. Segundo Bouchard et al.3, o indicador mais comum de sucesso das técnicas cirúrgicas para o recobrimento radicular seria a porcentagem ou a quantidade em milímetros da cobertura radicular da área desnudada. Para os autores, outros indicadores como a coloração do enxerto em relação à mucosa alveolar e ao tecido queratinizado pré-existente, a aparência do enxerto com ausência de fibrose ou cicatrizes, seu aumento de volume ou textura e a localização da linha mucogengival deveriam ser observados e avaliados para confirmar o sucesso do procedimento.

Al-Zahrani & Bissada4 definiram que os procedimen-tos de enxerto de tecido conjuntivo apresentavam uma grande sensibilidade técnica. Constataram que muitos fatores determinavam a previsibilidade dos procedimentos e que os mesmos não se encontravam totalmente esclarecidos. Segundo esses autores a habilidade do clínico, as características do defeito, as características do enxerto, o tipo de procedimento cirúrgico, a condição sistêmica do paciente e o desempenho da higiene oral são fatores que definem a previsibilidade do recobrimento radicular. A melhor elucidação destes fatores poderia refletir em um valioso auxiliar da prática clínica, uma vez que nortearia os profissionais para uma avaliação mais criteriosa das possíveis interferências na previsibilidade da técnica selecionada.

Etiologia das recessões

A etiologia das recessões gengivais é considerada multifatorial e os fatores predisponentes agem concomitantemente com os fatores desencadeantes5. Os fatores anatômicos, considerados predisponentes, são pre-ponderantes na etiologia das recessões gengivais e incluem: a) deiscência óssea; b) fenestração óssea; c) cortical óssea fina; d) má posição dentária; e) tração dos freios e bridas; f) vestíbulo raso; g) altura e espessura reduzida do tecido queratinizado. Já os fatores desencadeantes são: a) escovação traumatogênica; b) inflamação; c) lesões cervicais não cariosas; d) prótese fixa mal adaptada; e) violação do espaço biológico; f) incisão relaxante mal situada; g) traumatismo oclusal; h) cigarro e hábitos nocivos; i) grampo, barra ou sela compressivas em prótese removível e j) movimento ortodôntico fora dos limites ósseos.

Borghetti & Monnet-Cortidescreveram que o desenvolvimento de uma recessão gengival necessariamente depende da presença de um ou mais fatores anatômicos predisponentes juntamente com um ou vários fatores desencadeantes.

Segundo Ceruti et al.6, as lesões cervicais não cario-sas caracterizam-se como uma perda de tecido dental perto da junção cemento-esmalte, provocada por diferentes fatores como: ácidos endógenos e exógenos, ação abrasiva mecânica e flexão do dente devido à sobrecarga oclusal. Essas lesões são classificadas como erosão, abrasão ou abfração e são sempre acompanhadas de algum grau de recessão gengival.

Uma vez instalada a recessão, o prognóstico para a indicação de cobertura cirúrgica dependerá da influência de diversas variáveis inerentes ao defeito e à técnica a ser utilizada, como se segue:

Características do defeito

Para as classes I e II é possível um recobrimento completo, classe III recobrimento parcial, classe IV nenhuma cobertura é esperada7. Em relação à profundidade e largura da recessão, quanto mais profunda e larga é a recessão pior o seu prognóstico3,8.

Zucchelli et al.9 descreveram que a ausência de perda de tecido duro e mole em altura na região interproximal é o princípio biológico essencial para alcançar o sucesso independente da técnica utilizada.

Para Al-Zaharani & Bissada4, nos dentes com lesão cervical não cariosa ou com restaurações de compósitos, a cobertura radicular será possível, embora estes fatores influenciem a previsibilidade do procedimento.

Modificação da superficie radicular

O tratamento da superfície radicular foi proposto para oferecer uma condição apropriada para a busca da reconstrução periodontal.

A desmineralização da superfície radicular foi proposta por Stahl et al.10 para expor o colágeno e facilitar o depósito de cemento pela indução das células mesenquimais do tecido adjacente que se diferenciaram em cementoblastos. Esse condicionamento da superfície radicular pode ser efetuado com ácido cítrico (pH 1, por 1 minuto) ou tetraciclina hidroclorada (50 a 125mg/ml por 3 a 5 minutos) e foi usado por Harris11, dentre outros.

A remoção mecânica dos depósitos bacterianos, do cálculo e do cemento contaminado é importante para a formação de uma “nova inserção” conjuntiva12. Miller13 defendeu uma ampla raspagem e alisamento radicular para diminuir a proeminência radicular. Pini Prato et al.14 em recessões rasas usou apenas o polimento radicular.

Características do enxerto

Com relação ao enxerto de tecido conjuntivo, diversos fatores podem influenciar a sua previsibilidade no recobrimento radicular. Segundo Raetzke15 o enxerto deve apresentar a vantagem de ter dupla vascularização, ou seja, do retalho e do leito supraperiosteal.

A estabilidade cicatricial, fornecida pela fibrina do coágulo e por suturas adequadas, é crucial para o resultado da cirurgia16. A espessura do enxerto com no mínimo 1,5mm foi usada por Langer & Langer17.

Borghetti & Monnet-Corti5 descreveram que a assepsia do enxerto é importante, devendo-se evitar o trauma para manter a ferida estabilizada, uma proteção pós-operatória com cimento cirúrgico pode ser usada e também a prescrição de bochechos com clorexidina por 15 dias.

Em relação ao tamanho do enxerto, Yotnuengnit et al.18 sugeriram que deveria ser no mínimo 11 vezes maior que a área desnudada visível ou estender no mínimo de 3 a 5mm, além da exposição radicular. Assim, o tamanho do sítio receptor determinará o tamanho do enxerto.

Source: http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-86372010000100021&lng=en&nrm=iso

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