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INCISÕES EM RECOBRIMENTO RADICULAR

Este vídeo descreve a série de incisões necessárias para recobrimento radicular de recessões classe I e II de Miller. (Tratamento de Recessões Gengivais).

As recessões gengivais são, comumente, um achado na periodontia e se caracterizam pela migração apical da margem gengival, com consequente exposição radicular, ou seja, um deslocamento apical da posição da gengiva em relação à junção cemento/esmalte1. As recessões gengivais podem ser localizadas, afetando apenas um dente ou grupo de dentes ou generalizadas, ocorrendo em toda a boca2. Estas não afetam apenas esteticamente o paciente, mas também causam sensibilidade dentinária, dificultam a escovação, tornando-se um fator retentor do biofilme bacteriano3.

A recessão gengival foi classificada de acordo com a sua largura e profundidade: a categoria 1 se referia a uma recessão estreita e rasa; a categoria 2 seria uma recessão larga e rasa; a categoria 3 se enquadrava na recessão estreita e profunda, por fim, a categoria 4 que era uma recessão larga e profunda. Esta classificação, entretanto, não fornecia uma visão ampla e completa das recessões4.

Há também uma classificação que faz uma analogia às letras do alfabeto, atribuindo a cada tipo um valor prognóstico, em que a recessão em “U” apresentava um prognóstico ruim; a recessão em “V” um prognóstico favorável e, em “I”, um prognóstico bom5.

Miller6 redefiniu a classificação das recessões gengivais, relacionando a recessão gengival com o nível ósseo alveolar. Esta classificação divide as recessões em quatro classes: na classe I, não há perda óssea interproximal e a recessão gengival não ultrapassa a linha mucogengival. Na classe II, há ausência de perda óssea inter-proximal, enquanto que a recessão gengival ultrapassa a linha mucogengival; na classe III, existe uma perda óssea horizontal com um deslocamento apical das papilas, ou extrusão dental. A recessão existente poderá, ou não, ultrapassar a linha mucogengival. Na classe IV, existe uma perda óssea, estando os septos ósseos em alturas variadas, apresentando um acompanhamento das papilas.

As classes I e II são as que apresentam melhor previsibilidade de recobrimento radicular. Na classe III, há um recobrimento radicular parcial e na classe IV, não há recobrimento radicular7.

Atualmente, a etiologia das recessões gengivais é considerada multifatorial e está relacionada à presença de fatores anatômicos que se predispõe à ação de fatores desencadeantes com a patogenia das recessões gengivais. Quanto aos fatores predisponentes, relacionados à anatomia dos tecidos, podem-se citar deiscências e fenestrações ósseas, cortical óssea delgada, ausência de tecido queratinizado, mau posicionamento dentário, bridas e freios de inserção alta8-9.

Dentre os fatores desencadeantes, estão: a escovação traumatogênica; próteses mal adaptadas; grampos; barras ou selas de prótese parcial removível; violação do espaço biológico; incisões relaxantes mal posicionadas; movimentação ortodôntica e fumo. Todos esses fatores apenas ocorrerão na presença de um periodonto predisponente, que resultará em uma inflamação, desencadeando a doença periodontal10-11.

O periodonto é classificado em quatro tipos: periodonto tipo I, que apresenta dimensão de tecido queratinizado e espessura vestíbulo-lingual do processo alveolar normal ou ideal; o periodonto tipo II é composto por dimensões de tecido queratinizado reduzidas, e espessura óssea vestíbulo-lingual normal ou ideal; o tipo III possui tecido queratinizado com dimensão normal ou ideal, porém, a espessura vestíbulo-lingual do processo alveolar é fina; e, finalmente, o periodonto tipo IV, que apresenta tanto o tecido queratinizado quanto a espessura do processo alveolar fino10-12.

É de suma importância o paciente apresentar uma faixa adequada de gengiva queratinizada, pois esta protege o periodonto da agressão causada por forças de fricção durante a mastigação, de estímulos termoquímicos da dieta e dissipa o afastamento da margem gengival provocado pelos músculos inseridos na mucosa alveolar adjacente13-15. Caso o paciente apresente uma faixa inadequada de gengiva queratinizada, isso acarretará uma gengiva e um vestíbulo rasos, que favorecem o acúmulo de restos alimentares e dificultam a higienização oral16-18.

Com o advento da estética, surgiram várias técnicas para o recobrimento radicular, e a periodontia tem por objetivo, além do tratamento clássico periodontal, corrigir os problemas estéticos provenientes de recessões gengivais9.

Uma meta do tratamento periodontal é regenerar a perda do aparelho de inserção dos dentes. Portanto, tornou-se evidente, durante a última década, que diversos procedimentos regenerativos têm potencial para corrigir não só a recessão gengival, através do aumento da largura e altura da gengiva inserida ou queratinizada, como também obter recobrimento radicular parcial ou completo19.

Existem diversas técnicas cirúrgicas para a cobertura de raízes desnudas, como os enxertos gengivais, reposição lateral do retalho, reposição coronal do retalho, regeneração tecidual guiada e enxerto de tecido conjuntivo subepitelial20. Há também o retalho de papila dupla, o retalho semilunar e o enxerto alógeno (matriz dérmica acelular)21.

A técnica cirúrgica de recobrimento radicular a ser escolhida, geralmente, relaciona-se com as características clínicas do caso, preferência do operador, habilidade manual, classificação da recessão gengival, dentre outros1.

INCISÕES EM RECOBRIMENTO RADICULAR

O objetivo deste trabalho é apresentar um relato de caso de recobrimento radicular pela técnica de Zucchelli & De Sanctis22, indicada para áreas de múltiplas recessões estéticas. Nesta técnica, inicialmente, fazem- -se incisões oblíquas e intra-sulculares, voltadas para os defeitos de recessão, com o objetivo de desenhar papilas cirúrgicas e anatômicas, para, posteriormente, deslocar coronariamente o retalho.

Source: http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-86372011000200021&lng=es&nrm=iso&tlng=pt

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